22 de dez de 2008

O MEDO, (d)A SOLIDÃO

Olhava fixamente para o mais alto ponto da árvore. Distraída, pensativa, esperançosa, perturbada. É impossível descrever alguém naquele estado. Não era angústia, nem impaciência. Medo, cruel e frio. Medo.Aquele que as crianças sentem do palhaço com risada escandalosa; do escuro e das coisas que podem haver nele; da onça, do leão ou qualquer outro animal que é retratado em filmes infantis como um mau-caráter. De decepcionar alguém caindo da bicicleta sem rodinhas. Do bêbado que mora na rua ou até mesmo do tradicional "homem do saco". Das lendárias bruxas com nomes dissilábicos, tais como: "Cuca", "Queca" ou das mais perversas que oferecem maçãs ou condenam alguém a dormir a vida eterna. Do "lobo-mau", do "bicho-papão", do "monstro-do-armário" ou do pai que vai chegar em casa depois de um dia cansativo de trabalho e ver que o filho ainda não tomou banho.O mesmo que as mulheres sentem da aranha, da barata ou de qualquer outro artrópode. Do caramujo, da lesma ou ainda de outro molusco. Do mocinho morrer no fim da novela. De cantores de ópera, corvos, cemitério. Tempestades assustadoras. Terror pelo ladrão, seqüestrador, tarado ou qualquer outro da mesma espécie. Da bolsa mais bela acabar na loja antes que ela compre.O que os homens dizem não ter, mas o sentem. De perder o emprego, de fraquejar em uma hora em que necessitam dele, dos amigos saberem de seus mais ínfimos segredos.De seus filhos caírem de uma montanha-russa ou da esposa ser maltratada por uma amiga de trabalho.Era o mesmo que sentia naquele momento transitório, porém memorável. Alguém em um hospital. Receio de perder um ente amado. O medo da máquina de batimentos cardíacos começar um barulho uníssono. Do médico falhar na cirurgia. De Deus o chamar o para um plano superior. De virar adubo para o solo ou um pote para sempre guardado. De um vento soprar mais forte e deixar escapar pelos vãos dos dedos vestígios de risos compartilhados, planos que seriam concretizados. Da dor falar mais alto. Da vida se perder por entre um abismo, e ser levada como uma folha seca, inerte, que cai sobre o chão, assim como aquelas que apreciava. O medo amargo e doce da solidão.

5 comentários:

  1. Nossa, muito legal seu modo de escrever...gosto de blog como o seu ,que abordam sentimentos ou temas especificos de uma forma figurativa^^!Continue assim que vc vai longe!
    Meu blog:http://saiadomundo.zip.net.

    Bjos eum ótimo Natal o//!

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  2. Gostei muito do seu blog, o modo como você falou sobre vários tipos de medo, gostei muito.
    QUeria agradecer tbm pela visita no meu blog, desejar feliz natal e feliz ano novo.bjinhuss

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  3. Rá,

    Dei uma respondida no outro post...
    [juro que tentei nesse, mas não deu]
    Eu conheço Tai, e concordo com o que ela disse!

    Você escreve bem,
    e tem boas influencias... [Filmes, musicas, e livros..] Muito bom o seu gosto!



    té mais,

    FuiZ

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  4. Ps: Não deu ontem, pq hoje [como nota-se] eu consegui!


    =p

    bjo

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  5. Oi, vc não me conhece, nem eu te conheço, mas seu modo de escrever, como já disse a babi é muito legal! Vc pode ser escritora, hein??

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