10 de jul de 2011

O EMBATE ENTRE FANTASIA E REALIDADE

Em um mundo em que, exceto pelas histórias infantis, é cada vez maior o número de ficções escritas que imitam a realidade, muito se tem discutido sobre a influência da fantasia na vida humada. Não é possível dizer ao certo até que ponto a fantasia deixa de ser benéfica e torna-se um atraso. No entanto, é importante salientar que não só de veracidade vive o homem. Por vezes, o sonho é o impulso necessário para que possamos correr atrás do que queremos, por mais remotos que esses desejos pareçam.
É na infância que começa o contato com o irreal: contos de fadas são lidos, personagens de videogames são incorporados e logo surgem os primeiros amigos imaginários. Na atualidade, as crianças estão cada vez mais "trancadas" em casa devido à necessidade de superproteção de pais que vêem nos telejornais a violência estampada. Com esse "superego" crescente, o "idi" do indivíduo se aflora na tentativa de sobrepor a vida reprimida. É diante dessa realidade que cresce paulatinamente o vínculo entre o pequeno telespectador e os personagens de desenhos, sendo preciso praticamente um exorcismo para que a criança vislumbre a não-existência de seus super-poderes.
Já na adolescência, idade em que nos são cobradas atitudes adultas, a internet se torna o principal veículo das dissimulações. Segundo Gina Strozzi, professora na Universidade Presbiteriana de Mackenzie, a fantasia é um mecanismo de defesa que cria uma satisfação ilusória. É seguindo essa definição que milhares de jovens em sites de bate-papo descrevem um perfil estético, financeiro e etário que não lhes é pertinente. É projetado um mascaramento que permite a omissão de um ser frustrado com sua real identidade.
Há ainda uma parte da juventude que busca nas drogas uma fantasia que é incapaz de reproduzir. O escapismo almejado nas alucinações e sensações de prazer dos psicotrópicos, contudo, torna-se um impasse no enfrentamento dos problemas concretos, que passam a ter suas soluções prorrogadas.
Diante do que foi exposto, é na idade adulta que deve ser buscado um equilíbrio entre a fantasia e o real. É necessário "pé no chão" para que possamos prosperar no âmbito profissional. Mas é também por meio da aliança entre fantasia e criatividade que a produção é estimulada.
Eu, em meu último ano do Ensino Médio, vejo o quanto é importante me deixar guiar momentaneamente por desejos e imaginação, para que a haja a esperança de conseguir edificar minhas ambições e, dessa forma, contribuir para a formação de um mundo melhor.

Texto escrito há quase um ano, para um vestibular que tinha a seguinte proposta:
"Suponha que seu professor de Sociologia tenha resolvido fazer um jornal para circular em um bairro de uma grande cidade. Você, por ser aluno do último ano do Ensino Médio, é convidado a escrever um artigo de opinião a ser publicado no jornal da escola, posicionando-se em relação ao tema FANTASIA: FORÇA MOTRIZ E/OU ALIENADORA?. Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que o sustentem e que possam refutar outros pontos de vista"