2 de set de 2011

Não. Não quero. Não quero ser livre. Não quero liberdade se para tanto eu tiver que me desamarrar da maciez do seu abraço. Se para tanto eu tiver que deixar de desvencilhar da doçura imposição dos seus infinitos beijos. Tiver que deixar de agonizar na sua ausência. Tiver que deixar de sonhar o dia de chegar em casa e te ver me esperando. Tiver que deixar de ser modesta aos seus elogios, e até mesmo acreditar até qual ponto deixam de ser verdadeiros e passam a ser frutos da paixão. Não. Não quero. Não quero liberdade se dessa forma eu tiver que deixar de fitar seus olhos: indagadores, contrastantes, profundos, admiradores e apaixonados. Se tiver que escapar da minha perna entrelaçada à sua ou até mesmo me desobrigar da incumbência de te telefonar: ao amanhecer, no almoço, ao chegar em casa, ao tardar da noite ou tantas outras vezes quanto forem necessárias para que eu tente me satisfazer ouvindo sua voz. Sua voz. Baixa, redundantemente grave, suave. Afável. Não. Não quero. Não quero a liberdade se para tal eu tiver que desatar o meu futuro do seu. Se eu tiver que desatar o eu do nós.
Não. Não quero.
Não.
A liberdade que eu quero, eu já possuo. É a permissão de escolhê-la. É a escolha da certeza. É a certeza de é você quem eu quero. Pra hoje. Pra amanhã. Pra sempre.
Sim. Eu quero.
Eu quero você.