28 de dez de 2011

OS TEUS OLHOS

Se teus olhos falassem, amor
Mesmo que só por um instante,
o (meu) mundo pararia
para ouví-los

Teus olhos, castanhos,
são convites brilhantes
de uma linda e misteriosa
sinfonia.

E quão sortudo é
aquele que vislumbra
teus acordes.

Mas eles não falam, amor.
Teus olhos, na realidade,
discursam.

23 de dez de 2011

O avô que eu conheci não era o bravo, o sério, o homem de negócios ou o pai que mandava todos ficarem calados na hora do almoço. O avô que eu conheci era o que me segurava no colo na frente da mesa de Natal todos os anos, e quando já não conseguia mais, me deixava em pé sobre uma cadeira. Era aquele que me levava no zoológico, me dava um milhão de picolés e limpava minha boca de grozelha com seu lenço. Era ele que conversava com a mulher que vendia caldo de cana e dava longas risadas quando eu dizia que eu iria contar pra baixinha, porque, segundo ele, se a baixinha soubesse que ele conversava com outra ela iria sair correndo atrás dele com uma vassoura na mão. Era ele que cantava "Terezinha de Jesus" batendo a mão nas minhas costas quando eu chegava cansada. Foi ele que me levou na escola com um guarda-chuva me tampando do Sol. Eu me sentia a melhor-amiga dele e ele sabia que também era o meu. Meu avô foi aquele que adorava falar mal de uma mulher feia, mas também dava risada quando havia uma mulher com pouca roupa na TV, dizia que ela devia estar com calor, estava quente. Era aquele que morria de cosquinha na barriga, e vaidoso como era, sempre perfumado, barbeado(a barba não podia crescer um pouquinho que ele já queria capiná-la), deixava o cabelo crescer só pra tampar a careca, meu "bebê caleca"... Meu avó era aquele que podia me ver acordando, com cabelos bagunçados e com aquele pijama mais velho do mundo e ainda assim falava que eu era a moça mais bonita do Brasil. Foi aquele com quem eu dancei forró por inúmeras vezes às 6:00 da manhã, porque ele era assim, sempre amanhecia com aquele sorriso enorme no rosto. Meu avô era aquele que ficava espantado com o trabalho de um relógio, era aquele que lia em voz alta o jornal todas as manhãs, era aquele que cantava Branca, e tão somente Branca. Meu avô era aquele que não tomava remédios, comia "bulinhas". Meu avô era aquele que chegava no hospital e todas as enfermeiras já corriam para abraçá-lo, uma vez que ele já deve ter pedido inúmeras em casamento. Meu avô era aquele que me dava quatro, sempre quatro, beijos, TODAS as vezes que eu passava ao seu lado.
Meu avô era aquele... E eu o amo exatamente como era, em todo seu Alzheimer e em toda nossa amizade.

¡Feliz cumpleaños, abuelo!