4 de nov de 2009

POR ENTRE AS LINHAS DO HINO NACIONAL

O hino nacional brasileiro não segue de forma eficaz o real objetivo de um texto de mesma estrutura, que é a facilidade do acesso à linguagem desse para que a população o memorize. Por isso não podemos culpar o povo brasileiro pela ausência de patriotismo aqui vigente, uma vez que só ameaçamos entoar os versos compostos por Francisco Manuel da Silva em uma final da copa de futebol ou ainda alguns homens quando se alistam no exército(forçados a isso, ainda).
Imprimem nosso hino nas capas de livros didáticos e muitas escolar cultivam o hábito saudável de cantá-lo semanalmente, mas para que serve toda essa valorização nacional sendo que nem sabemos ao certo o significado de vários dos seus adjetivos assim como as referências feitas? Mecanicamente levamos a mão ao coração, mas será que possuímos esse apreço pelo país que declaramos corrupto e de desigualdades? Adotamos uma postura comovente e olhamos para a bandeira com o semblante de quem está transmitindo uma mensagem; respeitamos realmente esses bosques vívidos e essa terra garrida promovendo o "jeitinho brasileiro" como uma conduta e dizendo que o cinema nacional não tem valor?
O hino nacional brasileiro é mais um texto com forma parnasiana e conteúdo romântico em toda a sua idealização, mais uma vez usamos de estruturas e criações europeias com um objetivo nacionalista. É necessária a reavaliação deste pois além do desconhecimento por parte da parcela da população que não tem acesso a informação, há a idealização de um país que não mais subsiste: o céu antes límpido agora é poluído, os campos floridos são vítimas do desmatamento para criação de gado ou monocultura sem rotação de cultura e o povo que é declarado heroico é o mesmo que presencia toda essa injustiça e roubalheira e simplesmente desliga a televisão, se acomoda no sofá dizendo: "Chega de problemas por hoje", esses sim são os filhos da mãe pátria gentil.
Por fim, enquanto não acontecem mudanças no cenário nacional e no hino cheio de calúnias, aguardamos ansiosos pela "Paz no futuro e glória no passado" prometidas.