17 de ago de 2010

TOURADAS E A HIPOCRISIA AMBIENTALISTA

Cada dia que passa temos acompanhado na televisão, assim como nos demais veículos de comunicação, problemas que dizem respeito às divergências culturais. Uma mulher é acusada por cometer adultério e condenada a ser apedrejada no Irã. Outra teve seu nariz e suas orelhadas decepadas por um familiar. A comunidade internacional, estupefata diante desses "abusos aos Direitos Civis", se vê no direito de intervir em rituais milenares em prol do "Bem-Comum". Diante desse quadro, um assunto que tem me incomodado bastante diz respeito à proibição das touradas na Espanha.
Anualmente pessoas se reunem para apreciar o espetáculo, seja esse nas ruas, com os transeuntes como participantes voluntários ou até mesmo em imensos auditórios denominados Praças de Touros. Várias pessoas são mobilizadas a visitar Madri, por exemplo, garantindo parte do turismo regional, com o intuito de conhecer um costume não-pertinente. A cultura tauromaquia se fez presente em várias nações, não se restringindo à Espanhola, no entanto, é esse o país que tem o toureiro como ícone cultural. Um exemplo de país que compartilhava essa prática era Portugal, sendo que essa foi sendo diluída desde o governo Pombalino.
Atualmente, ambientalistas e pessoas adeptas à prática de defesa dos animais pressionaram até que uma lei fosse encaminhada, mediante aprovação, ao Congresso, na região da Catalunha. Multidões se uniram ao coro dizendo que os animais eram realmente muito maltratados e que a diversão gerada nas touradas não compensava a agressão aos touros . O que me aflige é o seguinte fato: Como essas pessoas não se atentam ao fato de que diariamente cometem atrocidades ainda maiores com esses metazoários?
Uma prática frequente em todo o Brasil são os rodeios. Os bois ou cavalos são submetidos a torturas para que abestados alimentem a barbárie de uma platéia insadecida que aplaude ao vislumbrar a resposta do animal à agressão.No almoço de todo brasileiro que tenha condição financeira para tal, há pelo menos um bife. Essa carne provavelmente veio de alguma pecuária extensiva. O gado foi certamente marcado durante seus primeiros meses de vida, deixando uma cicatriz exposta que identifica seu devido dono.A sua morte, não menos cruel foi o resultado de técnicas as quais nos remetem a selvageria do homem Paleolítico . Animais que têm seu crânio perfurado, levam eletrochoques ou são simplesmente cortados ainda conscientes por uma serra-elétrica que os divide ao meio.Essas são algumas cenas que mais parecem pertencer a um filme de terror do que à carne que você acabou de comer no churrasquinho, não?
Não quero fazer do vegetarianismo uma bandeira. Só venho por meio desse texto tentar compreender o que passa pela cabeça das pessoas que promovem todo esse alarde diante de uma causa hipócrito-ambientalista que está na mídia, mas fecha os olhos diante de tantos outros maus tratos. Que deixemos, por fim, a denúncia às touradas ou que pelo menos se essas forem feitas, que sejam condizentes com o nosso cotidiano.

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