8 de fev de 2011

Quando saí de casa meu pai me deu uma orientação: "Filha, só quero que você saiba uma coisa: Depois que você muda da casa dos seus pais, você nunca conseguirá retornar".
Os primeiros anos foram sofridos. Senti na pele o que é solidão. E o pior de tudo, aquela solidão acompanhada. Sensação de que você está perto de muitas pessoas mas se vê distante. Como se todos contracenassem no palco de sua vida e você se transformasse em platéia. A visita de meus pais era sempre acompanhada de um alívio e uma ansiedade pelo medo de retornar ao sofrimento.
Com o tempo você se acostuma, você cria novos vínculos e acaba remediando aqueles quebrados. Você começa a achar que o quarto onde você vive já é seu. Mas ainda assim, quanto retorna ao berço paterno você se sente em casa. Até o dia em que você volta pra casa e não a vê como um lar. Desesperada pela perda de identidade você retorna para a nova cidade e ainda assim não consegue se sentir "em casa". E essa é uma das piores sensações que já senti: Ser uma sem-lar mas com-teto. Uma estranha na minha vida.
O crescimento acompanhado de novas conquistas, exigências e responsabilidades faz com que seus pais te vejam como uma adulta. Deixam de perguntar pra onde você vai sair, deixam de te ligar e ainda quando atendem ao telefone te tratam como um colega de trabalho, ou resolvem problemas, mas nunca mais perguntam aquela típica indagação materna: "E aí, como foi na escola hoje?". Da sua febre você já cuida, acorda à noite com dor e tem que sair da cama pra buscar o remédio. É você que resolve seus problemas. Colo de mãe? O que é isso?
Acho que esse era o sentimento que eu precisava expurgar no dia de hoje. A sensação de ser uma visita no meu suposto lar. Como é ser uma orfã negligenciada por pais vivos que te bancam mas não te criam.

2 comentários:

  1. só eu que chorei lendo esse texto? espero que não.

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  2. Desesperada pela perda de identidade você retorna para a nova cidade e ainda assim não consegue se sentir "em casa". E essa é uma das piores sensações que já senti: Ser uma sem-lar mas com-teto. Uma estranha na minha vida.

    Descreveu meu ano de 2010

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